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Luis Góes, Historiador de Santa Tereza.
Todos os textos com informações históricas do bairro Santa Teresa contidos nesse site são de autoria de Luis Góes, a quem agradecemos a gentileza de nos ceder para uso. Quem desejar adquirir os livros que contam essa história e também outras obras do escritor deve entrar em contato com a secretaria paroquial ou com o próprio Luis Góes pelo e-mail:
luisgoesbh@ig.com.br

 

Contar a história da Paróquia, através deste trabalho, é a nossa pretensão. É importante que a atual e as futuras gerações saibam como foi difícil aos moradores da comunidade do Bairro Santa Tereza construir sua própria matriz.

Grande parte dos moradores ainda não sabem que o prédio da Matriz de Santa Teresa e Santa Teresinha demorou mais de 30 anos para ser concluído.

 

O trabalho de construção da nossa matriz começou no dia 25 de dezembro de 1930, quando foi criada a Paróquia, por Dom Antonio dos Santos Cabral, primeiro Arcebispo de Belo Horizonte.

Desde então, estiveram envolvidos na construção do prédio a comunidade, a Igreja Católica, os poderes públicos e muitos contribuintes particulares e anônimos.

O mestre desta imensa obra foi Padre José de Campos Taitson, nomeado com a criação da Paróquia, e que aqui permaneceu durante 15 anos, entregando a comunidade a matriz funcionando na Rua Eurita, e a laje das torres, bem como o arcabouço da Igreja definitiva preparado para receber as paredes e o teto.

Homenagem especial deve ser feita ao ex-Governador Olegário Maciel que, em nome do Estado, no ano de 1931, doou o terreno, oito lotes, para sediar a matriz. Um dos motivos de permanência de seu busto na Praça.

Dezenas de moradores participaram também desta grande obra, destacando-se o coronel Afonso Elias Prais, Dr. João Deschamps de Andrade, as famílias Goretti, Mathias, de Esther Magalhães, Bonconselho, D’Avila, Milton Carvalho Campos, Ângelo Rabelo, Virgilio de Abreu Martins Filho e tantos outros, moradores da comunidade, que não foram presidentes de comissões, mas colaboraram nas diversas campanhas de doação para compra dos mármores, dos bancos, da pintura, etc., para que os católicos do bairro pudessem se orgulhar da majestosa Matriz, que é uma das mais belas e maiores da cidade.

GUIA RÁPIDO HISTÓRICO
 
A CREAÇÃO DA PAROCHIA
A PEDRA FUNDAMENTAL
E SANTA TERESA
PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA
CONQUISTA DO TERRENO
A FUTURA MATRIZ
O SINO DE SANTA THEREZA
ALTAR MÓVEL
QUEM FOI PADRE JOSÉ TAITSON
OS TRABALHOS DE PADRE TAITSON
COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA

 

A CREAÇÃO DA PAROCHIA

D. Antonio dos Santos Cabral, por mercê de Deus e da Santa
Sé Apostólica, Arcebispo Metropolitano de Bello Horizonte.

Fazemos saber que de accordo com o que prescreve o Codigo do Direito Canônico, cons. 454, paragrafo 3, 1415, paragrafo 3 e 1427, paragrafo 1 e 2 , tendo em conta os graves encargos de Nossa consciência no sentido de prover o bem espiritual do rebanho sob Nossa guarda, em pleno exercicio de Nossa jurisdição ordinaria,
Havemos por bem desmembrar, perpetuamente, como o fazemos por meio deste, da parochia N. Senhora das Dores da Floresta, desta Capital, o territorio do bairro chamado Santa Thereza e elevar á categoria de Parochia amonivel que, assim erecta, chamar-se-á Parochia de S. Thereza, com as seguintes divisas:
Com a parochia de N. Senhora das Dores da Floresta, por uma linha recta que partindo do Arrudas, vae á rua Chrystal e, por esta subindo, até encontrar-se com a rua Graphito, por onde continuará a divisa até á rua Marmore. Passando pela rua Marmore, ira até á rua Hermillo Alves, por onde atravessará até encontrar-se com a rua Salinas, pela qual prosseguirá até á rua Itacolomyto.
Descendo por esta rua, atravessará a rua Pouso Alegre e continuará em recta até á rua que será o prosseguimento da rua Itacolomyto, seguindo por ahi em recta, até encontrar as extremas da parochia de S. Luzia do Rio das Velhas.
Com as parochias de S. Ephigenia, nesta Capital, as de Sabará e Santa Luzia, continuam as divisas traçadas por erecção da parochia de N. Senhora das Dores da Floresta.

O presente será lido á Estação da Missa Parochial, e registrado no Livro de Tombo da mesma parochia e, bem assim, nos das parochias de N. Senhora das Dores da Floresta, Santa Ephigenia, Sabará e Santa Luzia.
Dado e passado nesta Capital, séde Metropolitana, aos 25 de dezembro de 1930.
+ ANTONIO, Arcebispo de Bello Horizonte.

Estamos em 1º de janeiro de 1931.
O local é rua Gabro, 35, e são 8 horas da manhã. Além de moradores da comunidade, estão presentes convidados especiais de outras paróquias, o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Antonio dos Santos Cabral, Padre José de Campos Taitson, autoridades eclesiásticas, militares e populares.
O motivo da reunião de autoridades em Santa Tereza é porque está sendo instalada a paróquia. Na realidade, a primeira igreja católica de Santa Tereza foi instalada em um cômodo simples que serviu a uma padaria. Não havia casa paroquial e Padre José passou a residir, de favor, com uma família na Rua Mármore, 128.
Em 1931, no mês de maio, mês de Maria, da Coroação de Nossa Senhora, também foram realizadas as "quermesses", após os serviços religiosos, em frente a matriz provisória, na Rua Gabro. Desta maneira, nasceram as "barraquinhas" que existiu até a década de 60, de tantas recordações para a população da comunidade, que ajudou na construção da Matriz definitiva e na aproximação de casais resultando em muitos casamentos.

A PEDRA FUNDAMENTAL

Domingo ultimo (dia 25 de outubro de 1931), ás 9 horas, na praça fronteira ao quartel do 5º batalhão, no terreno cedido pelo governo do estado, realizou-se a missa campal celebrada pelo sr. arcebispo.Seguiu-se a benção da pedra fundamental da igreja matriz do bairro, que será dedicada a Santa Teresa e Santa Teresinha.

Á cerimonia compareceram o sr. presidente Olegario Maciel, acompanhado de seu assistente militar, comandante Feliciano Andrade; dr. Ribeiro Junqueira, secretario da Agricultura; os representantes dos demais auxiliares do governo e o dr. Luiz Penna, prefeito da Capital; dr. João Gusman, diretor de Obras da Prefeitura; tenente-coronel Francisco de Campos Brandão, comandante do 1º batalhão e presidente da comissão construtora; tenente-coronel Alfeu Paschoal, comandante do 6º batalhão; tenente- coronel João Evangelista, comandante do Batalhão Escola; major Joaquim Gustavo da Paixão, comandante interino do 5º batalhão; major Otavio Diniz, comandante do Corpo Auxiliar, e varios outros oficiaes, pessoas gradas, familias do bairro e de outros pontos da Capital.

Á chegada do chefe do Estado, fez-se ouvir o Hino Nacional, executado pela banda do 5º batalhão, sendo s. exc., entre palmas de grande massa popular, recebido pelo vigario padre José Campos Taitson e por uma comissão de oficiais.

Após a missa, rezada pelo sr. arcebispo, seguiu-se a benção da pedra fundamental do templo.

A seguir foi lida a ata, lavrada pelo farmaceutico Antonio Batista Leite, secretario da comissão e assinada pelo Presidente do Estado, arcebispo d. Antonio dos Santos Cabral, autoridades, oficiais e demais pessoas gradas.

Entre palmas, o presidente Olegario Maciel e o arcebispo metropolitano colocaram a argamassa, fechando a urna contendo jornais do dia, moedas, etc.

Usou da palavra, encerrando a cerimonia d. Antonio Cabral, que se congratulou com os habitantes de Santa Tereza pelo acontecimento, agradecendo ao governo o interesse que tem mostrado auxiliando tais iniciativas, no intuito de cultivar os nobres sentimentos do nosso povo, elevando-lhe seu nivel moral.

Após a cerimonia, foi oferecido, no quartel do 5º batalhão, ás autoridades presentes um "lunch", servido por um grupo de senhorinhas do bairro.

O regresso do presidente Olegario Maciel e demais autoridades fez-se debaixo de aclamações do povo de Santa Tereza.

Durante a cerimonia tocou a banda do 5º batalhão, havendo as crianças do grupo "José Bonifacio" entoado varios hinos sacros acompanhados por uma orquestra.

(ortografia original)

NOS PRIMEIROS TEMPOS

Quando o Padre José de Campos Taitson foi nomeado pároco de Santa Tereza, no último dia de 1930, a comunidade ainda estava em formação, com muitos problemas como calçamento, iluminação, transporte e serviços básicos de água, esgoto e coleta de lixo.

Santa Tereza era uma região suburbana, como todos os bairros localizados fora do perímetro da Avenida do Contorno.

Padre José era amigo de Dom Antonio dos Santos Cabral, então, Arcebispo de Belo Horizonte. Na sua pregação, durante a missa de instalação da Igreja Provisória, na rua Gabro, 35, Dom Cabral falou dos problemas que a paróquia iria enfrentar para conseguir o terreno, organizar as confrarias e o dinheiro para levantar a matriz definitiva.

O vigário da nova paróquia com pouco mais de 20 anos de idade, começava do ponto zero, somente com a boa vontade, esforço, trabalho e muita fé.

O terreno foi conseguido em setembro de 1931, por doação do Presidente do Estado, Olegário Maciel, e mais de uma dezena de confrarias destacando-se as de "São Vicente de Paulo", “Filhas de Maria", "Adoração ao Santíssimo", dos "Homens Casados", ”Cruzada Eucarística Infantil”, “Congregação da Doutrina Cristã”, “Congregação Mariana, ”Grupo de Oração”, “dos Jovens”, “dos Solteiros” já estavam em plena atividade.

Para conseguir os recursos financeiros para a construção da igreja a população contribuía de todas as maneiras, desde as espórtulas nas missas, rifas, listas de adesão, doações de bens e ajuda dos Governos estadual e municipal. Entretanto, uma das melhores contribuições da comunidade foi a participação nas barraquinhas realizadas pela Igreja.

NO MÊS DE MAIO BARRAQUINHAS

As barraquinhas da Igreja começaram a ser realizadas com a instalação da matriz provisória, em 1931, na rua Gabro, à tarde. Em sintonia com o espírito cristão da população as barraquinhas eram realizadas no mês de maio, mês de Maria e de coroação de Nossa Senhora. Inicialmente durante poucos dias mas, devido ao sucesso, se prolongou durante todo o mês. Posteriormente, com a mudança para a matriz definitiva, na rua Eurita, as barraquinhas eram realizadas no terreno fronteiriço a praça, onde seriam levantadas as torres da Igreja.

TABELA ARCHIDIOCESANA

No intuito de acelerar, como convem, a organização definitiva da nova parochia, empenhar-se-ão todos os seus habitantes pela construcção da Matriz definitiva, pela immediata acquisição da casa parochial, e fundação da “Bolsa das Vocações Sacerdotais”, esforçando-se fervorosamente para prover o esplendor do culto divino, e sustentação conveniente do espectivo parocho, contribuindo, de boa vontade, com os emolumentos e benesses que estão determinados na Tabela Archidiocesana e assegurando, deste modo, a permanência do parocho próprio, que se devote ao bem espiritual da população.

Ordenamos ainda, que todos os fieis, comprheendidos nos limites da nova parochia erecta, reconheçam na pessoa do sacerdote por Nós designado para dirigil-a, como na de seus sucessores canonicos, o seu legitimo Parocho.

O presente será lido á Estação da Missa Paroquial, e registrado no Livro de Tombo da mesma parochia e bem assim, nos das parochia de N. Senhora das Dores da Floresta, Santa Ephigenia, Sabara e Santa Luzia.

Dado e passado nesta Capital, sede Metropolitana, aos 25 de dezembro de 1930.

+ANTONIO, Arcebispo de Bello Horizonte.

PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA

A mistura de confraternização religiosa, social e econômica das barraquinhas exerceu forte influência na população e redondezas do bairro de Santa Tereza. Todos podiam participar. Haviam as barraquinhas de doces, sucos, refrigerantes, salgados, de tiro ao alvo, argolas, comidas típicas, corrida de coelho e diversas outras. Os comestíveis eram feitos pelos próprios moradores em suas casas e doados para serem vendidos aos participantes. Estas barraquinhas eram as preferidas das crianças. Por outro lado havia, para distração e maneira de aproximação dos rapazes e moças, o "correio sentimental" anunciado pelo serviço de alto falante. Por uma pequena quantia podia-se enviar mensagens para uma pretensa namorada ou vice-versa, até que houvesse oportunidade de se encontrar.

"Rapaz de camisa marrom e calça azul gostaria de falar com moça de cabelos pretos compridos, vestido lilás e olhar romântico, ainda hoje".

"A garota da rua Salinas, que ontem estava no bonde, às 17 horas, gostaria de conhecer melhor o rapaz que lhe pagou a passagem".

"Moço sério quer conhecer de perto a moça da rua Eurita para começar o namoro". "Rapaz de blusa azul e calça preta não esquece os lindos olhos da lourinha da rua Spath e quer se encontrar com ela na matinê das duas, de domingo".

Através de mensagens como estas é que foram realizados muitos casamentos entre moradores da comunidade. As barraquinhas da Igreja de Santa Teresa perduraram até a década de 1960. Hoje é lembrada com saudade pelos antigos moradores aqueles maravilhosos dias em que as famílias do bairro melhor se conheciam naquela participação ingênua e cristã.

CONQUISTA DO TERRENO

Padre José sabia que seria difícil a compra do terreno para construção da Igreja. Ele teria que obter uma doação da Prefeitura ou do Estado. O primeiro local escolhido foi um terreno, com cerca de 600 metros quadrados, na rua Estrela do Sul, entre Mármore e Silax (Tenente Vitorino), onde mais tarde se construiu o cinema. O local não foi possível. Por este motivo, pocurou o Secretário do Interior, Gustavo Capanema, para pedir a cessão do terreno anexo ao 5º Battalhão. A resposta foi negativa.
Em seguida, foi ao Pefeito Luiz Penna, pleiteando o terreno onde estava sendo realizado um aterro, onde hoje é a Igreja. O Prefeito não concordou, mas a situação foi resolvida em audiência com o Governador Olegário Maciel.

Em setembro de 1931 o vigário obteve a resposta afirmativa e, no dia 23 de outubro daquele ano, foi assinado o Decreto nº 1070 para cessão dos lotes números 5,6,7,8,18,20,21 e 22, da 7ª Seção Suburbana, com área total de 4.400 metros quadrados.

No Decreto um prazo de dois anos para o início da construção.

JARDINS EUCHARISTICOS

No jornal O Sino de Santa Thereza, de 12 de julho de 1931, uma das notícias era de que estão funccionando regularmente, em Santa Thereza, tres Jardins Eucharisticos (centros de catecismo), sendo um á rua Bom Despacho, 180, o segundo á rua Dores de Indaya, 167, e o terceiro á rua Pouso Alegre, 2441. O catecismo nestes centros, é ministrado semanalmente ás quintas feiras, ás 16 hs.
(ortografia original)

Em 1931 a praça de Santa Tereza ainda não era ajardinada, não havia o coreto e o final do bonde era em frente a porta principal do 5º batalhão da Polícia Militar. Em 1932 foi feito um pequeno jardim circular para abrigar o busto de Olegario Maciel, que hoje encontra-se em frente a Igreja.

A FUTURA MATRIZ

(Em 1º de janeiro de 1931) Contamos lançar brevemente a primeira pedra da matriz definitiva do prospero bairro de Santa Thereza. É preciso que dotemos nossa paraochia de uma igreja digna de nossa fé e do progresso sempre crescente desta mimosa parte da Capital.

Nossa matriz deve ser bella e ampla, de modo poder servir facilmente á nossa população que cresce diariamente.

Para isto esperamos a cooperação de todos com a contribuição na medida da generosidade de cada um. Mesmo á Matriz provisória faltam muitas alfaias e objectos necessarios ao culto.
Qualquer donativo póde ser entregue ao Vigario ou a qualquer dos membros das duas commissões, cujos nomes vão aqui publicados:

1ª COMMISSÃO
(Formada por homens)
Presidente Coronel Juvenal Pequeno
Vice João Lobato
1º Secretario Pharmaceutico Angelo Vieira Rabello
2º Secretario Capitão Vicente Torres
Thesoureiro Domingos Mallaco
Procuradores Pharmaceutico Leopoldo Meyer, Major Ezequiel Antonio de Castilho e Almerindo de Almeida.

2ª COMISSÃO
(Formada por mulheres)
Presidente D. Dinorah S. Duarte
Vice D. Adelia Mallaco
1ª Secretaria D. Gabriella Alves Prado
2ª Secretaria D. Maria da Conceição Magalhães
1ª Thesoureira D. Maria Odilia Goretti
2ª Thesoureira D. Maria Duarte Ciberio

Procuradoras Juracy Pequeno, Julia Lobato, D. Christina Prisco, D. Florinda Alvim, Zuzú Fonseca,Adyr Andrade, Raymunda Magalhães Andrade, D. Amelia Baptista, D. Maria de Lourdes Lobato, D. Carlinda Macedo, D. Maria Candida Ferreira, D. Maria Carolina de Paula Barros, D. Maria Helena de Almeida e D. Cecilia Paixão.

26 de abril de 1931
COMMISÃO ENCAREGADA
DO MEZ DE MARIA
Presidente Virginia Brandão
Directora Mercesinha Souza Lima
Secretaria Naná Fernandes
Thesoureira D. Dolores Fernandes.

6ª FEIRA 1º de Maio de 1931:- Inicio do Mez de Maria. Apos as solemnidades havera uma kermesse diariamente junto á egreja.

Dezenas de moradores participaram também desta grande obra, destacando-se o coronel Afonso Elias Prais, Dr. João Deschamps de Andrade, as famílias Goretti, Mathias, de Esther Magalhães, Bonconselho, D’Avila, Milton Carvalho Campos, Ângelo Rabelo e tantos outros, moradores da comunidade, que não foram presidentes de comissões, mas colaboraram nas diversas campanhas de doação para compra dos mármores, dos bancos, da pintura, etc., para que os católicos do bairro pudessem se orgulhar da majestosa Matriz, que é uma das mais belas e maiores da cidade.

O SINO DE SANTA THEREZA

Desde o primeiro dia do ano de instalação da Paróquia de Santa Teresa e Santa Teresinha circulou o jornal “O Sino de Santa Thereza”.

O “jornalzinho”, se assim o podemos classificar, pelo formato e número reduzido de páginas, era distribuído gratuitamente aos moradores da comunidade e a paroquianos. Foi de grande importância nos primeiros anos de criação da paróquia, divulgando as doutrinas da Igreja católica, comentando notícias publicadas nos grandes jornais, combatendo outras religiões, divulgando o movimento paroquial, as pastorais, as confrarias e as ordens eclesiásticas, os horários das missas, os casamentos, batizados, horários das missas, as reuniões e outros eventos de iniciativa da Igreja.

ALTAR MÓVEL

No principio, quando a comunidade ainda estava se formando, no tempo dos colonos e dos primeiros moradores, como as famílias Goretti, de Raimundo Lopes, de Angelino Rodrigues, dos Cardoso, Luiz Gonzaga Toledo, existia um altar móvel que percorria as casas e as missas, batizados e casamentos eram realizados por um padre itinerante.
A outra opção para a população católica de Santa Tereza era, também, se dirigir as igrejas de Nossa Senhora das Dores, no bairro da Floresta, ou a de Santa Efigênia dos Militares, uma das mais antigas da cidade, ao lado do quartel do 1º Batalhão da Policia Militar.

Os anos 30 foram prósperos para a comunidade, apesar dos acontecimentos no País, como as revoluções de 1930, 1932 e o Golpe de Estado de 1937, que o 5º Batalhão, sediado em Santa Tereza, participou.
Na década de 1930 foi criada a Escola "José Bonifácio", começou a circular os "auto-omnibus, realizadas duas reformas na Praça de Santa Tereza, dezenas de construções e melhorias nas vias públicas da comunidade, o comércio floresceu, assim como as entidades socio/esportivas.
Entretanto, o bairro ainda tinha muitas carências, com ruas por calçar, serviços de iluminação, água e esgoto.

O Sino de Santa Thereza era uma reedição, com aproveitamento de muitas matérias, do O Sino de São José, da matriz do mesmo nome. Era uma publicação semanal, tendo como diretor Padre José de Campos Taitson e como redator o Padre Henrique Brandão.

QUEM FOI PADRE JOSÉ TAITSON

Padre José de Campos Taitson era filho de José Maria e Alcina. Dos nove filhos do casal cinco abraçaram o sacerdócio, três homens e duas mulheres. Padre Fernando já é falecido, Padre Américo,também falecido, foi vigário da Paroquia de São Sebastião do Barro Preto, em Belo Horizonte, e Padre José, ordenado na nova Arquidiocese da Capital, em 19 de junho de 1930, por Dom Antonio dos Santos Cabral, comemorou as Bodas de Diamante de seu sacerdócio, em 1990.

No final de 1930 recebeu a incumbência de criar e dirigir a paróquia de Santa Tereza. Em 1º de janeiro de 1931 instala, provisoriamente, a paróquia na rua Gabro e luta para conseguir o terreno onde deveria construir a matriz definitiva. Depois de consultar o Secretário do Interior e o Prefeito da cidade sobre a cessão de um terreno, é o Governador do Estado, Olegário Maciel, que resolve o problema doando à Igreja o local onde ela foi construída.

Foram 15 anos de muito trabalho com pregações, visitas e sacramentos ministrados aos seus paroquianos.

Quando recebeu nova missão de dirigir a Paróquia do Pilar, em Nova Lima, já tinha levantado a matriz de Santa Tereza e a parte de cima estava em plena construção.

Ele foi capelão dos colégios Santa Maria e Pio XII, diretor do Colégio Municipal, do Liceu Imaculada Conceição, membro do Conselho Curador da Fundação Helena Antipoff, Assistente Eclesiastico do Jornal "O Diário", diretor da " Hora de Angelus", da Rádio Inconfidência, e de muitas importantes atividades com destaque no Tribunal Eclesiastico de Belo Horizonte.

Padre José faleceu em novembro de 2004, aos 96 anos de idade, foi pároco da Igreja de Nossa Senhora das Graças, de Ibirité, desde 1960.

Ele foi um dos maiores benfeitores do bairro de Santa Tereza e merece ser lembrado pelos moradores da comunidade.

OS TRABALHOS DE PADRE TAITSON

Dando prosseguimento aos seus intentos, Padre Taitson realizou várias visitas. Entrou em contato com a Diretora do “Grupo José Bonifácio”, Professora Laura Badaró Soares, oficiou missas na Escola e marcou o dia da Primeira Comunhão dos alunos.

No Quartel do 5º Batalhão rezou missa pelos componentes da corporação mortos na revolução de 1930 e participou das comemorações de aniversário da entidade. No” Instituto Alfredo Pinto” confessou vários menores ali internados, rezou missas e fez várias visitas periódicas.

Padre Taitson ficou conhecendo as famílias mais tradicionais da comunidade. Foi convidado para um café na casa do Coronel Prais, almoço com Julio e Odilia Goretti, visitou o Hospital de Isolamento, o bar de Geraldo Peres, as famílias Cardoso, Toledo, Rodrigues Valle, Pena Ogando, Montanari, Miranda e demais católicos da comunidade.

Padre Taitson criou uma Conferência da Sociedade São Vicente de Paulo, para assistência aos pobres e fazia visitas semanais ao Hospital de Isolamento, sendo buscado pelo enfermeiro chefe, Carlos Maria D’Avila, em seu próprio automóvel, mesmo a contra gosto do Diretor do Hospital, D.Levindo Coelho da Rocha.

COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA

Mês de maio de 1931

MOVIMENTO PAROCHIAL HORARIO DOS SERVIÇOS RELIGIOSOS
HOJE:- Missas ás 6:30, 7:30 e 9 hs. A missa das 7hs é seguida de catecismo ás creanças. Ás 18:30 Mez de Maria, bençam e coroação.
Ás 19hs recepção de fitas pelas Filhas de Maria.
AS COROAÇÕES DE NOSSA SENHORA
MEZ DE MARIA
Dia 03 Coroa Isa Teixeira Abreu
Palmas Maria Rodrigues e Perpetura Socorro Portella
Dia 04 Palmas Ruth Dias e Hortencia Sá Franco
Dia 05 Palmas Antonia Augusta Fernandes e Maria Julita Chaves
Dia 06 Palmas Maria da Conceição Salomão e Maria Auxiliadora Drumond
Dia 07 Coroa Maria Lima Badaro Soares
Palmas Maria de Lourdes Fonseca e Felicinha Fonseca
Dia 08 Palmas Candida Cesar Monteiro Castro e Maria Apparecida M. de Castro
Dia 09 Palmas Helia Rubinger e Theresinha Fonseca
Dia 10 Coroa Maria dos Anjos Oliveira
Palmas Maria da Conceição Diniz e Guiomar Moreira
Dia 11 Palmas Geralda Sant'Anna e Hortencia Sá Franco.
Dia 12 Palmas Aracy Moreira Horta e Maria Aguiar Romanelli
Dia 13 Palmas Nair Moreira e Edna Vierno
Dia 14 Coroa Maria Joaquina Rodrigues
Palmas Heloisa Vimeiro e Luiza de Oliveira.
Dia 15 Palmas Haydee Brant e Elza de Oliveira Quies
Dia 16 Palmas Celia Vieira Rabello e Neuza
Dia 17 Coroa Ruth Ramos
Palmas Natalia Brandão e Lourdes Cesar Magalhães
Dia 18 Palmas Elza Rodrigues e Edna Vierno
Dia 19 Palmas Maria de Lourdes Paula e Irene Ribeiro
Dia 20 Palmas Conceição de Moura e Maria Olympia Lima
Dia 21 Coroa Haydee Horta
Palmas Laurita Passari e Lourdes Apparecida Stheling
Dia 22 Palmas Diva Couto e Esther Teunon
Dia 23 Palmas Nadyr Nacestes Coelho e Conceição Lourdes de Souza
Dia 24 Coroa Ephigenia Camello
Palmas Wanda Campos e Nair Pavan
Dia 25 Palmas Elza de Jesus Santos e Maria da Conceição Santos
Dia 26 Palmas Ilda Oliveira e Maria de Lourdes D'Avila
Dia 27 Palmas Aurea de Sá e Maria de Lourdes Gomes
Dia 28 Coroa Maria da Conceição Souza Lima
Palmas Grecia Guimarães e Lucia Moreira
Dia 29 Coroa Maria da Conceição Mourthé
Palmas Maria Auxiliadora Mourthé e Yolanda Costa
Dia 30 Coroa Ophelia Dias Pacheco
Palmas Thais Badenes Beltrão
Dia 31 Coroa Celina Magalhães
Palmas Ruth Dias e Luiza Oliveira

 


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